segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Duro

Queria correr no tempo, parar o pesadelo e poder trazer-te de volta.
Esperei ver o mundo sorrir, esperei encontrar-te no topo da vida, mas em vez disso esbarrei na onda, deixei-me cair, preciso da tua mão para me poder levantar.
Queria reflectir o teu olhar no meu sorriso, queria poder completar as tuas frases, queria ser dona dos teus gestos. Não consigo fazer com que me entendas, com que percebas todas as minhas indirectas, e embora não queiras acreditar, isto dói-me, faz-me querer adormecer e acordar apenas quando o mundo tiver completado a sua mudança.
Por vezes penso que seria mais fácil se simplesmente não tivesse de lidar com tudo isto, se me passa-se tão ao lado quanto te passa a ti.
Eu quero-te de volta, quero-te minha vida.
Não quero recomeçar, custa tanto, fingir que não se sente, fingir que nunca te conheci até ao mais ínfimo pormenor.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

La verdad

Sinceramente deixei de saber o que dói de verdade, se a indiferença ou a diferença.
Passo a passo, de dia para dia eu tento construir uma verdade sobre esta mentira, mas nem sempre tenho os melhores resultados, não faz parte de mim viver de uma ilusão.
Sinto que perdi o sentimento que mais acarinhava, quando me perguntam do que mais tenho saudades eu só consigo obter como resposta os últimos 9 meses.
vivo sufocada num sentimento, que por muito que me doa, não devia sentir.
Deixas-te bem claro, tenho de continuar o caminho apenas com as minhas pegadas.
Um dia questionei se era possível por momentos desejar o impossível, perguntaram-me porquê e eu só fui capaz de dizer que era a ti que eu queria de volta.
Continuo à espera de um dia poder ter a explicação que tanto quis ouvir da tua boca.
Por detrás de cada cortina eu procuro um olhar teu, em cada sonho tento por tudo poder ver-te sorrir, mas por vezes está tudo tão nublado que nem a minha própria silhueta eu consigo ver.
Só queria poder sair deste silêncio que me consome cada bocado da alma, que me destrói todas as recordações que conseguimos amealhar.

sábado, 6 de novembro de 2010

Vida

Não tenho medo de perder, mas tenho medo de perceber que as coisas nunca foram minhas.
Quantas e quantas vezes fecho os olhos e vejo uma vida escapar-me entre os dedos como se nunca me tivesse pertencido realmente.
Sinto inúmeras lágrimas caírem-me suavemente pelo rosto e, mesmo assim tento esboçar um sorriso; afinal aquela era a minha vida.
Queria poder parar este pesadelo que me atormenta mesmo estando acordada, ter a capacidade de gritar bem alto e do mais interior possível e recuperar o que me fazia verdadeiramente feliz.
Fazes-me falta e, não é que tenha sido preciso este tormento ter começado para eu assim o sentir, mas verdade das verdades é que o simples facto de não te poder ver sorrir todas as manhãs, saber que quando a tarde chegar não estarás à minha espera, perceber que o bom que me completou apagou-se sem um retorno evidente.
Todos os dias me questiono como isto se tornou assim, como é possível duas pessoas que se amam estarem longe uma da outra e que isso seja o melhor.
Eu queria entender todas as questões que o meu coração me coloca, queria ter resposta para todos os gritos de sufoco da minha alma, mas mesmo procurando até ao mais ínfimo pormenor não encontro nada que me faça desmontar este puzzle.
Não se trata de um jogo, muito menos de só mais uma parte de vida.
Trata-se do meu mundo, da melhor pessoa que conheci exteriormente, que me resgatou de uma tempestade, que me ofereceu um abrigo seguro e o melhor amor que poderia um dia vir a desejar.
Queria poder voltar atrás e ter dito sempre tudo, estar contigo o máximo possível como se o amanhã não existisse.
Ter feito loucuras em vez de aceitar as promessas de um mundo eterno.


"Entiende que aunque pida que te vayas no quiero perderte"