domingo, 29 de maio de 2011

Desillusa

Lembra-te, um dia não é um sempre.
Eu prometi que não iria cometer os mesmos erros, que não iria falhar para comigo e hoje deparei-me com o maior erro: aceitar!
Entre sufocos e lágrimas reprimidas, escondi-me, atrás de um mundo ilusório, fingi não me importar, fingi que eu estou bem alto.
Mas na verdade não estou, e não será apenas por hoje, enquanto doer, enquanto não conseguir aceitar, vai-me custar.
Vou fechar os olhos, por breves instantes, quero ficar rodeada no meu silêncio, no eco do mundo.
Não vou explicar porquê, não vou tentar compreender nada, não quero! Estou-me a recusar aceitar, aceitar viver dessa maneira.
Sinto-me a querer arrancar com as unhas toda esta dor soluçante que me invadiu o peito, mastigar, até perder a conta, essas palavras que não fui capaz de pronunciar e cuspir com força, muita força.
Preparo a fogueira, vou queimar cada pedacinho de inocência, palavra por palavra, no fim vou deixar o tempo queimar, ir-se consumindo por si só, limitarei-me a fornecer o oxigénio necessário para que arda, arda de uma forma impiedosa. 
Aqueço a minha alma, na melodia das vozes, das atitudes que vinculam a minha pessoa, aquilo em que me crio.
Caminharei pela chuva, de dia e de noite, ao sabor do vento, subindo e descendo pequenas ruas, no estreitamento do vazio eu serei a cor que preenche a tela. Sacudo a água do meu corpo, olho para o céu e sinto cada gota como uma lágrima, essa que me corre pelo rosto, com dor, com vontade de gritar, esbofetear e arder de ira. 
Vou tacteando os momentos, deslizando os meus dedos lentos pelos braços, deixando o sorriso apoderar-se de mim, do meu corpo.
Acredito em milhentas coisas, sinjo-me a uma ou outra, pouca interessa todos esses valores, todas essas supremacias quando o mais importante, o mais valioso se mantém tão tremido como está.
E naquele bocadinho de papel rasgado eu escrevo tudo o que sinto, tudo o que sinto vontade de dizer-te mas num sussurro perco a coragem, olho nos teus olhos e quero acreditar que não é verdade, e que a verdade é que é puro, sincero.
Abundamentemente enuncio que és tu, e serás tu, por aquele dia até ao fim, escrevo e reescrevo onde for preciso, para quem tiver necessidade de saber, para quem não entende e tenta afectar.
Olhei, apercebi-me da escadaria que existe, em caracol, imagine-se, vou descer ou subir, não me importa o sentido porque sei que o fazemos lado a lado, e vou saltar os degraus que forem precisos para me permanecer assim, de sorriso esboçado no rosto, de olhos brilhantes com uma imensa vontade de acordar, de viver, de ver os dias nascer e a noite cair, sendo fiel ao meu novo caminho.
Não quero nem saber se alguém não compreende, se alguém não quer que assim seja.
Afinal de contas, não é preciso escrever a história no céu, tentar montar o puzzle com falhas entre as peças porque se nos importarmos irão entender.
Foi, e apenas isso, algo que aconteceu, coisas de momento, é assim que quero ver, é assim que vou acreditar, nem mais nem menos, porque não mereço, não dessa forma, não desse jeito, com tanta firmeza.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os extraño muchisimo

4 aninhos, 21.Maio.2011
Amo-te muito minha princesa @
Apaixonei-me. Apaixonei-me e foi à quatro anos atrás, aquele dia em que te vi chegar, tão pequenina.
Nem sempre me sinto capaz de explicar, de transmitir tudo aquilo que tu me fazes sentir.
És a minha pequena, a minha prima mais nova, um grande orgulho.
Sei que um dia eu vou-te poder explicar, tu vais entender o porquê de te pedir um beijinho, uma foto, o porquê de me dares a mão, o simples gesto de pedires colo se tornar assim tão importante.
Vejo-te crescer e com muita pena minha, ao longe, a uma distância de tantos quilómetros. São poucas as oportunidades de chegar a ti, em que posso estar presente na tua vida, e não por culpa dos tios, nem por culpa dos teus pais, apenas porque é assim que as coisas são.
Dói, sempre que tenho que te dizer adeus o meu coração fica despedaçado, feito em caquinhos tão pequenos que por vezes tento prometer a mim mesma que não vou voltar, mas não sou capaz.
Um mês antes de fazeres anos sinto um ansiedade enorme de ver o dia chegar, de te poder abraçar e ouvir-te dizer prima.
Não quero que um dia mais tarde tu não saibas quem eu sou, que não te recordes de mim nos teus aniversários.
Eu sei que é pouco, acredita que sei, e se pudesse mudava isso. Na vez de te ver uma a duas vezes por ano, tentaria ver-te de semana a semana. Com muito ou pouco tempo és um dos meus grandes orgulhos. Recordo-me da diferença que me fazia ver-te quando mais precisei de motivação, a mudança que era sentir que percebias que estávamos ali para te proteger, fazer-te ver que somos família e que queremos que te recordes com um sorriso nos lábios de todos os momentos em que estivemos a teu lado.
Obrigado pela diferença, obrigado por existirem.
Talvez um dia, daqui a uns meses, um ano, quem sabe, eu poderei ver-te a ti e aos teus pais com mais regularidade, não deixar a saudade chegar a um ponto extremo, quase sufocante.
Vocês fazem imensa falta, mas posso garantir que estão sempre presentes.
É impossível esquecer aqueles que amamos, aqueles que com tão pouco fazem uma diferença gigante.
Mas mesmo que seja apenas a sonhar, pensando alto, pouco importa, o que mais queria era poder ter-vos aqui, acompanhar-vos e saber que um dia, dentro de pouco tempo teria de dizer adeus.

domingo, 8 de maio de 2011

Sorrindo

E para grandes males grandes remédios, assim foi e assim será.
De dia para dia vou aprendendo, vou ensinando, vou crescendo. Conheço pessoas, pessoas essas que sou incapaz de mandar embora, fazem de mim uma pessoa melhor, vou rindo e chorando, lado a lado.
Sinto-me realizada, completa é a palavra certa.
Cada um com o seu feitio, cada um com a sua personalidade e todos juntos, acho que é o melhor de se ouvir, de se saber.
Sozinha? Nunca!
As coisas terão sempre o seu sentido e não vou perder, de modo algum, a alegria de viver, a vontade que tenho de estar presente para todos, a saudade e a falta que me fazem quando por momentos tenho que dizer "até já".